Flávio entrega-se a Washington. Silêncio em Lisboa

Como português, reconheço os sinais.
Flávio Bolsonaro escreveu ao secretário de Estado americano. Nessa carta, o candidato mais votado na primeira volta ofereceu pôr a sua equipa de transição à disposição do governo dos EUA. A lei brasileira só permite isso depois das eleições, entre o presidente eleito e o governo cessante.
Prometeu o que não pode dar. Entregou a quem não devia.
E o que recebeu em troca? Um agradecimento. Rubio registou a “generosa oferta”.
Isto não é esquerda contra direita. É soberania contra a submissão.
O Brasil é a maior democracia da América Latina, e quase todos os vizinhos já são, hoje, quintal de Washington.
Se o Brasil também se dobrar, fecha-se o círculo entreguista. Por isso, Lula ter afirmado na ONU, que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém.” E nós, portugueses, sabemos o que é ser quintal. Vivemos o salazarismo. Sabemos o que custa sair dele, e o que custa ficar.
Eu não tenho dúvidas nem hesitações: apoio Lula. Digo-o às claras, porque a soberania de um povo não se negoceia numa carta a Washington.
Em Lisboa e no Porto, os brasileiros que vivem entre nós já escolheram Lula na primeira volta. E os partidos portugueses?
Em Portugal, que eu tenha visto, só um partido tomou posição sobre esta segunda volta: o PCP, que denunciou Flávio como protagonista de um projeto “reacionário, golpista, fascizante”. Os outros? Silêncio.
Os partidos, ou as suas direções, não podem esconder-se debaixo de um silêncio cúmplice perante defensores de autocracias e ditaduras.
No mínimo, respeitem os seus eleitores que, numa sondagem DN/Aximage, já se pronunciaram: 59% dos eleitores do PS, 71% do Livre e 80% do BE preferem Lula.
Eu já disse de que lado estou.
Quem, em Portugal, não assumir a defesa da soberania e da democracia nesta segunda volta das presidenciais do Brasil, não venha às legislativas pedir o voto dos portugueses em nome seja do que for.
No dia 25 de outubro, os brasileiros decidem. Mas quem tem memória não pode ficar no silêncio cobarde e conivente com forças, que se inspiram em simbolos utilizados pelo fascista Mussolini.
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