Em Dia Internacional, Guterres ressalta que jornalismo não pode ser silenciado BR

Em 2025, pelo menos 34 jornalistas foram assassinados; casos são marcados por alta taxa de impunidade; líder das Nações Unidas ressaltou que a profissão é “fundamental para os direitos humanos e a democracia”. 

Em mensagem para marcar a data, António Guterres enfatizou que os profissionais da mídia desempenham um papel essencial em manter o público informado e responsabilizar aqueles que detêm o poder.

Alta taxa de impunidade

Mas eles são frequentemente assediados, vigiados, processados, agredidos fisicamente ou presos, e às vezes até torturados ou mortos, simplesmente por fazerem seu trabalho.

Ao longo do último ano, pelo menos 34 jornalistas morreram. Em média, 6 em cada 7 desses assassinatos ficam impunes. Em contextos de conflito, a taxa de impunidade se aproxima de 100%.

Para Guterres, isso é uma “afronta hedionda às vítimas e seus entes queridos, bem como a todos que dependem dos jornalistas para se manterem informados e engajados”.

O secretário-geral ressaltou que quando o trabalho jornalístico é silenciado, “todos nós nos tornamos vítimas”.

Fotógrafos e cinegrafistas com câmeras e lentes teleobjetivas se aglomeram em uma barreira reservada à imprensa na sede das Nações Unidas em Nova York, enquanto delegados e chefes de Estado chegam.
ONU/ Laura Jarriel Jornalistas registram a chegada dos chefes de Estado no primeiro dia do Debate Geral na ONU, em Nova York.

Profissão fundamental para os direitos humanos e a democracia

O líder da ONU declarou que nada deve impedir a capacidade dos profissionais da imprensa de atuar, pois esta profissão é “fundamental para os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito”.

Ele defendeu que todos os casos de ataques contra a mídia sejam investigados, com os responsáveis devidamente punidos e pôs ênfase na necessidade de acabar com as agressões online.

Ele lembrou que desde o lançamento do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas, em 2012, a taxa de impunidade para esses crimes em países sem conflitos armados caiu de 94% para 77%.

Mas o secretário-geral reconheceu que é preciso fazer mais.

Alta no número de mulheres assassinadas

Dados da ONU indicam que, entre 2023 e 2024, um total de 162 jornalistas foram mortos no exercício da profissão. Quase metade das mortes ocorreu em países que vivenciam conflitos armados, em comparação com 38% nos dois anos anteriores.

A impunidade é gritante, com 85% dos casos de assassinatos dos profissionais desde 2006 ainda sem solução ou abandonados.

O número de jornalistas mulheres assassinadas em 2022 atingiu o nível mais alto desde 2017, com 10 casos.

 

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