Manifestações na ONU condenam o ataque dos EUA na Venezuala

Representantes da China, Rússia, Brasil e  outros países,  condenaram na ONU o ataque americano na Venezuela que sequestrou o presidente venezuelano Nicolas Maduro.
O governo da China rejeitou qualquer tentativa de um país se colocar como “polícia” ou “juiz” da comunidade internacional. A posição foi expressa pelo ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, ao comentar a agressão militar dos EUA ao país sul-americano.
Ao tratar do tema, o : Wang Yi ressaltou que a postura adotada pelos Estados Unidos contraria princípios básicos do direito internacional e ameaça a estabilidade global.
“Não acredito que nenhum país possa agir como polícia internacional, nem concordo que um país possa reivindicar ser juiz internacional”, afirmou Wang Yi, em crítica direta à ação norte-americana contra a Venezuela. Segundo ele, a soberania e a segurança de todos os Estados “devem ser plenamente protegidas pelo direito internacional” .O ministro destacou ainda que a China mantém uma posição histórica contrária ao uso da força nas relações entre países. De acordo com Wang Yi, Pequim sempre se opôs “ao uso ou ameaça do uso da força nas relações internacionais e à imposição da vontade de um país sobre outros”, reforçando a defesa de soluções diplomáticas e multilaterais para conflitos internacionais. O que testemunhamos não é apenas a violação da soberania venezuelana mas um ataque direto ao principio da igualdade soberana, que fundamenta toda ordem internacional contemporânea.
Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos têm ignorado as graves preocupações da comunidade internacional em relação à soberania venezuelana e infringiram a não interferência em assuntos internos e a proibição do uso da força nas relações internacionais”, afirmou, Fu Cong, embaixador da China na ONU
Ao analisar o contexto global, o embaixador chinês observou que práticas de assédio unilateral vêm se intensificando em um cenário internacional marcado por instabilidade e alto grau de interligação entre as nações. Nesse ambiente, segundo ele, a ação contra a Venezuela provocou “grande preocupação” na comunidade internacional.
O representante da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, disse que o começo do ano chocou a todos pela falta de respeito às leis internacionais e ao princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países.
“O sequestro do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, acompanhado da morte de dezenas de cidadãos venezuelanos e cubanos, aos olhos de muitos, se tornou um retrocesso para a época de um mundo sem leis e a dominação norte-americana pela força e pelo caos. Não há justificativa para os crimes cometidos pelos Estados Unidos em Caracas. Nós condenamos firmemente a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela em desacordo com todas as normas internacionais. Pedimos a libertação imediata de Maduro e sua esposa. Ele é o presidente legítimo da Venezuela eleito”, afirmou o diplomata russo.
Vasily Nebenzya destacou que o povo russo se solidariza com os venezuelanos perante a agressão externa. “Apoiamos incondicionalmente o governo bolivariano da Venezuela.”
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia:
“Os EUA violou a carta das nações unidas, a carta da OEA,o Direito internacional costumeiro, e diversos tratados bilaterais e cria um precedente, que pode ser usado por qualquer potência militar, para justificar intervenções contra países menores. Se aceitamos que um país possa simplesmente capturar um presidente eleito de outro país, porque não gosta de suas políticas,
estamos retornando a lei da selva, onde apenas o poder militar determina o que é permissível.

 Em manifestação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo brasileiro subiu o tom contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e, ainda que sem mencionar diretamente o governo de Donald Trump, declarou que a solução para o país vizinho não passa pela “criação de protetorados”.

“O Brasil não acredita que a solução para a Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano”, discursou o representante do Brasil na ONU, embaixador Sérgio Danese.

A crítica é uma resposta direta à fala de Trump de que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela.

O discurso de Danese seguiu a linha da nota assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada ainda no sábado, ao afirmar que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável”.

“Esses atos são uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e abrem um precedente perigoso para toda comunidade internacional”, disse Danese.

“As normas que regem as relações entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra índole. Não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifiquem o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, continuou o embaixador.


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