Brasil deixa de registrar patente após cortes de verbas em pesquisas

Brasil perde patente da polilaminina por falta de verbas do governo

A pesquisadora Tatiana Sampaio afirmou, em entrevista ao canal 247, que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina devido aos cortes de verbas nas universidades federais. A pesquisa é considerada uma das descobertas mais promissoras no campo da regeneração de lesões medulares.

A substância, chamada polilaminina, vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário que ajuda os neurônios a se conectarem.

Segundo Tatiana, a UFRJ teve seus recursos reduzidos entre 2015 e 2016, o que inviabilizou o pagamento das taxas necessárias para a manutenção da patente no exterior. “Não havia recursos para arcar com os custos da patente internacional”, afirmou.

A  inadimplência das anuidades resultou na perda da proteção internacional da biotecnologia, permitindo que outros países ou instituições estrangeiras passem a utilizar ou desenvolver a pesquisa sem obrigação de compensação ao Brasil.

A pesquisadora disse que o Brasil perdeu a patente internacional da tecnologia depois de cortes de recursos para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) durante o Governo Temer. Na época, o ex-vice da Dilma realizou um corte de 44% no orçamento da ciência, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, declarou na época à BBC Brasil que os cortes levaram a ciência do Brasil a um “estado terminal“, que “vai penalizar o Brasil por décadas“. E parece que ele estava certo. O Governo Bolsonaro também não ficou por baixo, tendo o menor investimento em ciência em duas décadas, em 2021.

“Os recursos da UFRJ foram cortados. Então parou de pagar as patentes internacionais. Nós perdemos tudo internacional, ficamos só com a nacional, que eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder. A internacional foi perdida, parou de pagar, perdeu, nunca mais recupera”, disparou.

“Não pode mais pedir essa patente internacional e eles podem copiar. A UFRJ não tinha dinheiro, parou de pagar. Esses custos de: ‘ah, vamos fazer um corte de gastos aqui’, têm consequências. A gente podia ter