Segundo o delegado, Daniel de Carvalho Nascimento, da Polícia Federal, 24 deputados federais, 4 senadores da República e seus assessores foram, segundo o delegado, espionados ilegalmente com o objetivo confesso de “caçar podres”, “buscar problemas na Justiça”, verificar “doações” e bisbilhotar até mesmo parentes e amigos. Da devassa descrita por Nascimento não escaparam nem mesmo dois presidentes da Casa: Rodrigo Maia e Arthur Lira.
De acordo com o delegado, a estratégia do esquema era coagir adversários do governo de Jair Bolsonaro. “A utilização do conhecimento sobre fatos sensíveis, incriminadores sobre indivíduos ou organizações para coagir com o intuito de atingir os objetivos é técnica utilizada na área de inteligência: kompromat”, escreveu o delegado.
A Abin paralela, segundo o delegado, foi uma estrutura criada na gestão de Ramagem na Abin durante o governo de Jair Bolsonaro. Ela teria sido usada não só para espionar parlamentares, mas também ministros do Supremo, juízes, policiais, jornalistas, advogados, militares (há um general da reserva entre os alvos detectados pela PF), sindicalistas, funcionários do Ibama e da Receita Federal que criavam embaraços para o governo Além disso, a estrutura teria propagado notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.
Tudo dentro do contexto da suposta tentativa de golpe executada pelos bolsonaristas. Ela teria usado ainda o sistema First Mile, um software israelense que permitia aos agentes burlar a necessidade de autorização judicial para saber a localização dos celulares de desafetos do governo ou de pessoas que o esquema teria intenção de prejudicar. Comprado por R$ 5,7 milhões, o sistema foi usado entre 2019 e 2021 e espiou 60 mil telefones, muitos dos quais por razões político-partidárias para a defesa de interesses da família Bolsonaro e de seu grupo político.
Fonte : Estadão
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