Associação de perítos vê falha em perícia apresentada por delegada bolsonarista

Foi uma análise muito superficial, não contemplou todos os vestígios disponíveis e foi feita de uma forma muito célere. Então, talvez, fosse necessário um aprofundamento maior, colher outros tipos de vestígios, sejam eles os vestígios físicos que estavam na guarita, computador, circuito interno de TV, uma identificação de locutor talvez mais robusta. O Ministério Público, nesse caso específico, flexibilizou o conteúdo probatório, poderia ter feito um pedido de perícia oficial para os órgãos competentes, Polícia Civil ou Polícia Federal, a depender da abrangência do caso”, destacou Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais criticou ainda a forma como o arquivo foi manuseado desde o dia do crime. “É preocupante do ponto de vista na análise da perícia. A gente entende aquilo como uma evidência que precisa ser apurada dentro do bojo de uma investigação, e qualquer contato com essa evidência antes do exame pericial é sempre temerário. É como um local de crime que você tem um corpo e você movimenta o corpo, muda ele de lugar”, disse.

Segundo o Sindperj, a Perícia Técnica Oficial, que conta com peritos especializados, da Polícia Civil não foi acionada para avaliar o material. “Lamentamos que um evento de grande importância criminal para o país, que envolveu até o Presidente da República, venha a ser apresentado sem o devido processo de comprovação científica. Uma prova técnica robusta e incontestável só pode ser produzida com respeito à cadeia de custódia e com a devida Perícia Oficial da mídia original e do equipamento original no qual foi gravada”, diz a nota. MP não apurou ligação para Bolsonaro… –

O trabalho dos técnicos do MP se limitou a averiguar se os áudios entregues tinham sido editados. Mas o sistema de gravação não foi apreendido nem analisado, o que impede as autoridades de saberem se algum arquivo foi excluído ou alterado —por exemplo, sendo atribuído a outra casa. Além disso, as promotoras do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), ao solicitarem a análise dos arquivos, pediram apenas avaliações relacionadas a Ronnie Lessa e sua residência (as casas 65 e 66). Não houve qualquer avaliação em relação ao presidente Jair Bolsonaro ou a sua casa para auditar as informações dadas pelo porteiro.

o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro e também morador do Vivendas da Barra, postou em suas redes sociais um vídeo no qual mostrava ter acesso aos arquivos. Assim como as promotoras, ele usou o argumento de que não havia nenhuma ligação para a casa de Bolsonaro no dia e hora em que Élcio de Queiroz foi à casa de Ronnie Lessa —o que ocorreu por volta das 17h10, segundo as investigações.

Segundo livro de registro apreendido pela Polícia Civil, Élcio de Queiroz esteve no Vivendas da Barra horas antes do crime. O controle de acesso aponta que sua entrada foi autorizada pela casa 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro. Em dois depoimentos, nos dias 7 e 9 de outubro, o porteiro confirmou que a autorização para a entrada foi dada pelo “seu Jair”, embora Bolsonaro, então deputado federal, estivesse em Brasília. Após a DH (Delegacia de Homicídios) apreender os livros de controle de acesso, o síndico do Vivendas da Barra espontaneamente entregou em 15 de outubro um CD com arquivos da portaria gravados entre janeiro e março de 2018. O material foi periciado 15 dias depois, em 30 de outubro, em pouco mais de duas horas, após a TV Globo divulgar a anotação do livro de acesso e depoimentos do porteiro que afirmavam que Bolsonaro havia autorizado a entrada de um dos acusados de assassinar Marielle ao condomínio. A análise relâmpago foi usada pelo MP para descartar a participação de Bolsonaro no caso e investigar um suposto falso testemunho do porteiro. Sindicato diz que Perícia Técnica não foi acionada… – UMA PERÍCIA DURA EM MÉDIA 30 DIAS.

O porteiro explicou que, depois que Élcio entrou, ele acompanhou a movimentação do carro pelas câmeras de segurança e viu que o carro tinha ido para a casa 66 do condomínio. A casa 66 era onde morava Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e Anderson.

Lessa é apontado pelo Ministério Público e pela Delegacia de Homicídios como autor dos disparos.

O porteiro disse, em depoimento, que ligou de novo para a casa 58, e que o homem identificado por ele como “Seu Jair” teria dito que sabia para onde Élcio estava indo.

O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos Camargo, afirmou nesta sexta-feira (1º) que análise das provas que envolvem o sistema que registra ligações de interfone no condomínio do presidente Jair Bolsonaro, no Rio, foi superficial e que a ausência de perícia oficial pode levar à nulidade do processo.

Segundo Camargo, o tempo para análise do material seria de, em média, de 30 dias, considerando a quantidade de informações acumuladas e a complexidade do caso. O Jornal Nacional apurou que o pedido de perícia que consta no processo foi protocolado às 13h05 de terça-feira (29) e a entrevista coletiva com o anúncio das conclusões começou pouco depois, às 15h30.

“O prazo padrão que nós damos dentro da pericia é normalmente 30 dias. Não quer dizer que vá demorar 30 dias. Pode ser um pouco antes disso, como pode ir um pouco além, mas esse é o padrão”, diz.

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