Destempero do presidente

Algo não vai bem com o presidente da República. Jair Bolsonaro fala além da conta, até sem dados e provas. Esqueceu que, no Exército, comandante de batalhão não comanda ordem unida para a soldadesca. Por vezes Bolsonaro nem como sargenteante – o boletineiro – age. Teima na metodologia do berro. Insiste em se proclamar o todo-poderoso. Bobagem, não é. Torço para que acerte, reponha o Brasil nos trilhos. O PT corrompeu tudo. Não é fácil o restauro. Mas não ajuda a boca chula, o revide abaixo do diafragma do adversário ou do provocador. Firmeza com elegância à Winston Churchill fez história. O que Bolsonaro pretende ao minar territórios de ministros que ele próprio escolheu, com suposta carta branca? Se o presidente se sente aflito no labirinto tenebroso dos gabinetes de Brasília, na mata sinistra da Praça dos Três Poderes, siga o ensinamento do Centro de Instrução de Guerra na Selva aos alunos que se perderem na floresta: estacione, sente-se, alimente-se, oriente-se, navegue.

JOSÉ MARIA LEAL PAES ( publicado no Jornal O Estado de São Paulo)

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