Mais Médicos tem 5,2 mil novas inscrições confirmadas pelo Ministério da Saúde

Uma das profissionais prestes a embarcar, que não quis se identificar, contou que seu plano é regressar ao Brasil. Na experiência de atender pacientes em um município no estado do Rio Grande do Sul, que ela também optou por não revelar, conheceu um brasileiro, passou a ser relacionar com ele e a história terminou em casamento.

“Eu pretendo voltar. Olha a minha aliança [mostra para a reportagem]. Casei com um brasileiro”, falou, feliz. Perguntada sobre como faria para retornar, já que há regras restritas no país para imigração, não deu detalhes. “Vou fazer tudo certinho. Ainda não sei, mas vou me informar quando chegar lá”, complementou.

Já Felipe Ramiro gostou da experiência, mas comentou que seu desejo era retornar a Cuba. Alocado em unidades médicas na cidade de Camocim de São Félix, em Pernambuco, ele relatou que teve ótima relação com pacientes e moradores. Mas que após o encerramento do contrato, previsto para o ano que vem, iria voltaria à ilha.

“Se o contrato não fosse interrompido, eu trabalharia mais um ano. Mas ficar mesmo no Brasil eu não vou ficar não. Eu gosto do meu país, tenho família lá, filhos”, justificou.

Nova missão

Ioana Iglesias chegou ao Brasil em 2016 e foi trabalhar na cidade de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Ela relata que os pacientes “sofreram junto a perda da médica cubana”. Ela diz que não sofreu preconceito, ao contrário, teve ótima acolhida. Natural de Santa Clara, no centro da ilha, vai voltar a atuar como médica no país.

Perguntada se voltaria ao Brasil para uma nova missão do tipo da que se encerra agora, respondeu positivamente. “Se o Brasil quiser de nós que façamos como uma missão humanitária, com certeza voltaria. Nunca vamos negar um atendimento para ninguém”, pontuou.

Rompimento

O rompimento do acordo ocorre por decisão do governo cubano, que chamou de volta os profissionais por desacordo com condições impostas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para que os médicos permaneçam no programa –  entre elas a realização do exame de revalidação de diplomas para reconhecimento no país (Revalida) e a não retenção de parte da remuneração dos médicos, que até então ficava com a administração cubana.

O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, por meio de uma rede social, defendeu os profissionais. Em nota, o Ministério da Saúde cubano afirmou que as exigências desrespeitam as condições acordadas no convênio com a Opas.

Dois dias após a decisão, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que as novas exigências foram definidas para proteger os médicos de más condições de trabalho, por razões que classificou como “humanitárias”.

Nesta semana, o governo brasileiro abriu novo edital para substituir os mais de oito mil médicos cubanos.

Agência Brasil

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